domingo, 3 de junho de 2012

A VOLTA DO ZÉ DO TELHADO.



AINDA BEM QUE PAREI!



Não é a primeira vez que o faço, mas, hoje, foi diferente. Obsidiado pela ideia de participar no “blogue Novelartecine”, que tem “postado” uma longa memória acerca do Zé do Telhado, aquela casa esbarrondada, ao abandono, e com o colmo da cobertura todo apodrecido, à qual chamam “Casa do Zé do Telhado”, povoou-me literalmente a memória de personagens e trágicos acontecimentos.

 
   

Todo o percurso de regresso a casa, meditei, discuti, gesticulei, como se, embora sozinho, várias pessoas comigo viajassem.
As imagens, naquela casa invocadas, acompanharam-me... não me saem da cabeça.
Vejo-as, no meu pensamento, como se as avistasse, aqui, à minha frente, à luz do dia.
Ah! Como avulta nestas imagens a figura de Ana Lentina, ali, abstraída, a olhar os longes do Marão. Que ansiedade lhe enche de pavor o olhar, ao contemplar aqueles obscuros longes!
Coitada! Anda por lá, por aqueles ermos, fugido, o seu homem, acusado do assalto à Casa de Cadeade, em Baião.
Pobre Ana Lentina! Como eu te vejo, à luz do meu pensamento, nesse teu semblante, aí, mortificada. Não te conformas! Aquilo deve ser trama do Sr. Adriano da Picota, Administrador do Marco de Canaveses, que quer desgraçar o teu homem. Serve-se do lugar que ocupa para o acusar e perseguir, só por inveja e vingança, fazendo-o andar, como um desgraçado, fugido, por aqueles ermos agrestes, exposto, sabe Deus, a que perigos.
Assim é, Ana Lentina! De facto, a cega ambição política do Administrador do Marco, Sr. Adriano da Picota, que quer ser (e vai ser) Governador Civil de Bragança, conta muito nisto tudo, mas não te enganes...

Há alturas na vida que fatalidades dominadoras, às quais temos que obedecer, nos levam por caminhos que não queríamos, e que, em certos casos, é mais fácil, muito mais fácil, não começar do que parar. E o teu homem, Ana Lentina, já começou!
Comandando um grupo de celerados, tem por finalidade tirar aos ricos para dar aos pobres.
Tu não sabes e, inconsolável, estala-se-te de dor o coração. Também a mim me dói, comovido e indignado, por conhecer bem a tua vida no passado e no futuro. O teu passado, conheço-o espelhado nas palavras de Camilo que pessoalmente conheceu teu marido. “Ditosos derivaram os primeiros anos daquele suspirado enlace. Zé do Telhado era querido dos vizinhos, porque aos ricos nada pedia e aos pobres dava os sobejos da sua renda  e do seu trabalho de castrador”.
O teu futuro, vejo-o aqui, nitidamente, nesta tenebrosa imagem que me não sai da memória.
No tribunal do Marco de Canaveses, Zé do Telhado é condenado a degredo perpétuo. À entrada, nas escadas do tribunal, Ana Lentina, decrépita, flagelada pela doença, com a face encostada ao rosto descarnado de seus filhos famintos, roga, de mãos erguidas, que lhe não tirem de si o pai dos seus meninos, o único amparo da sua vida.
Ah! Pobre Ana Lentina! Como me entristeço, ainda hoje, ao escrever isto...
Tu não sabes. És uma mulher simples, de boa-fé, mas nada pode obstar ao desterro do teu homem. O bruto sentimento de vingança de alguns “senhores” da terra, não comporta outro desfecho.
Pobre Ana Lentina! Que revolta se me lavra no espírito, ao ver-te, ali, votada ao maior desprezo, naquelas escadas do tribunal...
Os teus filhos, coitadinhos, pedem-te inutilmente pão. E tu choras, vendo, com o coração despedaçado de dor, o teu homem no meio dos guardas, de mãos atadas à corda, a ser levado para sempre.
Pobre Ana Lentina! Que vai ser de ti, mulher?
Não vou continuar. Não posso conviver mais com estas imagens que me deprimem dolorosamente até às lágrimas. Mas também não é preciso continuar...
O que aconteceu, a seguir, deixou-o dito António Nobre na sua obra o “Só”:
                                                                                
“O Zé do Telhado morara ali perto:
A triste viúva
A nossa casa ia pedir, era certo...”

José Silva
Junho de 2012


sábado, 2 de junho de 2012

DESFILE DE VESTIDOS DE NOIVA!


  Foi um verdadeiro sucesso:)
 
No dia 27 de Maio de 2012, pelas 15 horas a ASSOCIAÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO DA FREGUESIA DE NOVELAS, levou a efeito no salão polivalente da Junta de Freguesia, uma das maiores iniciativas que fez reunir sensivelmente trezentas pessoas, vendo desfilar Vestidos de Noiva desde os tempos recentes até ao ano de 1976.
Ao longo do período de duração do desfile, no palco foi possível apreciar danças de salão por jovens de grande talento que acompanharam o evento.


 Participaram em desfile aproximadamente, setenta vestidos de noiva e trinta modelos, a abertura do desfile esteve por conta de Joana Ferreira presidente da Associação Para o Desenvolvimento da Freguesia Novelas com um espectáculo inspirado numa actuação que lhe valeu a conquista do público.

   O objectivo de tal evento foi de angariar fundos para as obras de uma Associação sem fins lucrativos, e que acredita que a união faz a força, sendo por isso o seu intento impulsionar o desenvolvimento da Associação, fortalecendo os seu intentos e apelos da população mais idosa.
Os aspectos artísticos, analisados de acordo com estilo, postura, detalhes, sentido de apresentação, e características técnicas, como dinamismo, mereceu a atenção do público e autoconfiança dos participantes, que muito bem souberam desfilar.


A iniciativa pretendeu também contribuir para a história de bons momentos vividos por quem os vestiu em épocas passadas.
Uns característicos com estampas de cores, geralmente florais, e tramas simples de forma a dar a conhecer algumas das principais manifestações artísticas que envolvem a cultura e o movimento do desfile.

 O desfile dos vestidos animou o espectáculo pleno de emoções e deslumbramento sendo o evento bem sucedido, ganhando atenção da população local que não esperava tanta audiência e ficou entusiasmada. 
 Parabéns.
Novelas, 28 de Maio de 2012
 
Deseja um DVD GRATUITO!
Clik aqui em COMO RECEBER O SEU DVD GRATUITO para enviar o seu pedido em enviar comentário.
 Obrigado.
rfbmeireles@gmaill.com

sexta-feira, 1 de junho de 2012

JOSÉ DO TELHADO TERCEIRA PARTE

 JOSÉ DO TELHADO, PARTE TRÊS!
O Zé era um homem destemido e decidido, depois de uma farta luta para se vingar do seu opositor José Pequeno cortou a língua ao delator que acabou por morrer, facto que constituiu motivo para festejo dos aldeões das redondezas. Zé Pequeno era um sanguinário ladrão. A perseguição das autoridades ao Zé torna-se implacável… este já não tem onde esconder-se.
Aconselhado pelos mais fiéis amigos, pensa em voltar ao Brasil. Assim decide e viaja até ao Porto para, clandestinamente tomar o barco de destino. Pelo caminho, pede asilo, por alguns dias, à dona da Casa do Carrapatelo, D. Ana Vitória, a quem já assaltara. Dona Vitória fica surpreendida mas, recorda com reconhecimento, o respeito que Zé do Telhado exigiu aos seus parceiros de quadrilha e, acede a dar-lhe guarida. 
Dias depois, em segredo, Zé toma o barco em Massarelos mas, é denunciado por um delator que o viu entrar no navio. O administrador de Marco de Canavezes consegue, finalmente, apanhar Zé do Telhado!
Preso na cadeia da Relação do Porto, é julgado dois anos depois, o processo iniciou-se em 30 de Maio de 1859, com acusação pública em 9 de Dezembro do mesmo ano. Foi condenado por sentença do juiz António Pereira Ferraz, de 27 de Abril de 1861, na pena de trabalhos públicos por toda a vida, na costa ocidental de África e no pagamento das custas. Esta pena foi mantida pela Relação do Porto, substituindo apenas a expressão "costa ocidental de África", por "Ultramar".
Por acórdão da mesma Relação de 11 de Agosto de 1865, foi comutada a pena aplicada na de 15 anos de degredo para a África Ocidental, a contar desde a data do Decreto de 28 de Setembro de 1863.



   A condenação reportou-se a diversos crimes cometidos com violência: tentativa de roubo, com começo de execução, em casa de António Patrício Lopes Monteiro, se Santa Marinha do Zêzere, comarca de Baião; homicídio na pessoa de João de Carvalho, criado de D.ª Ana Victória de Abreu e Vasconcelos, de Penha Longa, Baião, e roubo na casa de referida senhora (Casa de Carrapatelo) de objectos de ouro e prata no valor de oitocentos mil e um conto de reis e algumas sacas com dinheiro, cujo valor a queixosa calculou em doze contos de reis, não sabendo ao certo quanto era, porque o dinheiro se encontrava na casa mortuário onde jazera, poucos dias antes, seu pai, e, após isso, ela ainda nem sequer lá voltara a entrar; roubo em casa do Pr. Padre Albino José Teixeira, de Unhão, comarca de Felgueiras, no valor de um conto e quatrocentos mil reis em dinheiro e ainda objectos de prata e outro; outro homicídio na pessoa de um correligionário, ferido num confronto com as autoridades. 
 
Para além de outros crimes de roubo e de resistência à autoridade, foi também condenado como autor e chefe de associação de malfeitores e de tentativa de evasão do reino sem passaporte e com violação dos regulamentos policiais.
A sua qualidade de chefe é que o tornou responsável pelo homicídio do Carrapatelo, pois o autor material foi um capanga que abateu o criado quando este tentou reagir, num momento em que o caudilho ainda nem entrara na residência.
A ação do Zé do Telhado, alcunha de José Teixeira da Silva, integra-se no fenómeno organizativo de grupos de assaltantes que tem a sua génese, de formação espontânea, durante as invasões francesas. Perante a total falta de reação do exército português à entrada dos napoleónicos, grupos de populares procuram quebrar a total impunidade dos invasores. Esses grupos, veras milícias populares, entretanto com experiência guerrilheira acumulada, foram aproveitados na guerra civil liberal por forças políticas e militares em campo: os "corcundas" (absolutistas) e os "malhados" (liberais).
Usava evoluída assinatura, com o último apelido abreviado (S.ª), curioso indício de cultura acima da vulgaridade, no Tribunal de Marco de Canavezes e, condenado ao degredo perpétuo com trabalhos públicos, em África. É transferido para a cadeia do Limoeiro em Lisboa. Dali é embarcado no “Pedro Nunes” e lá vai para o degredo em África de onde, nunca mais regressará.
Mesmo em África, Zé era estimado por todos, gozando de poderes e algumas liberdades.
Faleceu em 1875, em Xissa, Malange, onde ficou sepultado.
Na campa, onde jaz, consta uma data de nascimento igualmente falsa. As quadrilhas integravam padres, morgados, administradores, empresários e alfaiates. Nunca foram julgados. A História reconduz-nos a julgamentos recentes, alguns dos quais da atualidade...
Estou certo que, o facto de Zé do Telhado ser uma figura incomodativa para certa burguesia “bem pensante” da época, não recolhe, senão nas bocas do povo, o reconhecimento de figura marcante de uma das fases da história de Portugal.
JOSÉ DO TELHADO Mestre e Repartidor Público que hoje com a sua quadrilha, certamente conseguia acabar com o capitalismo ligado por sua vez às empresas de rating que condicionam o País e a Europa.

Fundamentado:  
JOSÉ DO TELHADO O ROBIN DOS BOSQUES PORTUGUÊS?VIDA E AVENTURA José M. Castro Pinto Plátano Editora, Lisboa 2002
Jorge Afonso publicava in Diário de Aveiro de 29 de Outubro de 2007
António Nobre - Viagens na Minha Terra.
Processos Históricos dos Tribunais do Distrito Judicial do Porto

Para voltar clik a seguir em ...






JOSÉ DO TELHADO SEGUNDA PARTE

 
  JOSÉ DO TELHADO, PARTE DOIS!

O Zé do Telhado em suma, era o orgulho da pacata aldeia de onde era natural.
Tornou-se homem muito cedo já que, aos catorze anos saiu de casa começando por abraçar a profissão de castrador e de curandeiro de animais, atividade conhecida pela designação de “alveitar”, ou seja, veterinário não diplomado. 
A primeira contrariedade da sua vida foi o amor escondido que tinha com a sua prima Aninhas, ao qual, o seu tio e pai daquela bela donzela, um ex-soldado das fileiras de Napoleão que, aquando das invasões francesas, por cá ficou, não davam tréguas nem consentimentos. O amor entre os dois, esse, resistiu pelos anos fora até se consumar o enlace… o Zé nunca foi homem de desistir.




Passava por Novelas, Bustelo, Lousada mais precisamente em Caíde de Rei... e poder-se-á entender que o poeta António Nobre já nos seus apontamentos se referia ao Zé do Telhado quando dizia, “ E eu ia álerta, olhando a estrada, que em certo sitio, na Trovoada, costumavam sair ladrões. Ladrões! Ó sonho! Ó maravilha! Fazer parte d'uma quadrilha, rondar, á Lua, entre pinhaes! Ser Capitão! Trazer pistolas, mas não roubando, - dando esmolas…” [Viagens na Minha Terra].
 Era assim visto o salteador pelo poeta, quando o pai da Aninhas acabava por aceitar o enlace da sua filha Aninhas com o seu sobrinho Zé do Telhado, goradas as ideias peregrinas de a ver casada com um dos abastados ricos pretendentes da região. Com a breve acalmia da guerra civil, regressou a Lousada, onde vivia a sua amada a fim de consumar o casamento. Assim aconteceu, tendo, regressado à vida das feiras e práticas de “alveitar”.
 Chegada a vida militar, lá foi rumo a Lisboa. Rapidamente, devido à sua subtil inteligência e bravura se tornou no orgulho dos oficiais do Regimento onde serviu, sendo conhecido no meio pelo “soldado do Norte”.
E foi exatamente aí que a sua vida começou a projetar o Zé do Telhado que conhecemos. A falta de entendimento entra os protagonistas políticos de então, levou à guerra civil entre Setembristas e Cabralistas, na qual o nosso Zé se viu envolvido, lutando pelos Setembristas, ao lado do Marquês, Sá da Bandeira.
Entretanto, a guerra civil retoma o país, agora mais sangrenta que nunca devido ao envolvimento popular. 

 O nosso leal Zé do Telhado ainda pensou que, o seu general Sá da Bandeira posteriormente lhe arranjasse um bom emprego pelos serviços prestados, para fazer frente à situação de miséria em que a família se encontrava… Zé do Telhado gastou todo o dinheiro que tinha e hipotecou todas as propriedades que possuía para ajudar a luta contra os Cabralistas.
Bem esperou mas, nada! Terminada a guerra, ficou o gosto e o proveito da guerrilha por conta própria: é o João Barandão, é o Remexido, é o Zé do Telhado.
 Este atingira, ao serviço liberal, a glória, com a atribuição da Torre e Espada. Finda a guerra pretendeu um emprego no Depósito do Tabaco, no Porto. Não conseguiu.



Com a miséria dentro de casa, Zé pede ajuda batendo a várias portas… todas se fecham incluindo a do padre seu compadre e padrinho da sua filha! Agora, com a vitória dos “Cabralistas”, ninguém conhecia o fiel lutador Zé do Telhado. Ao chegar perto de casa, Zé ouve os filhos a pedirem pão à mãe Aninhas. Era demais! Zé não consegue suportar mais aquela situação e decide roubar para matar a fome aos seus.
O primeiro roubo foi a um modesto pedreiro. Zé pergunta-lhe: quantas moedas trazes? Tenho dez mas, foram ganhas honestamente com o meu trabalho! O nosso Zé diz-lhe: dividimos isso… dá cá cinco e fica com outras cinco. Anos volvidos, Zé do Telhado viria a devolver as cinco moedas ao modesto trabalhador.

Entre lamentos da sua situação e a realidade, Zé integra-se na famosa quadrilha do conhecido “Boca Negra” onde militava o seu irmão Joaquim do Telhado.
Os assaltos sucederam-se, nas regiões da Beira Alta, Beira Baixa, Vale do Sousa, e a distribuição dos roubos pelos necessitados, integrado no mesmo bando, entre a “honra” da substituição do chefe Custódio, o “Boca Grande” e a presença na quadrilha, do seu inimigo de estimação, José Pequeno. Os assaltos estendem-se, agora, às regiões do Alto Douro, Minho e Trás-os-Montes.
A fama de Zé do Telhado depressa se espalhou pela região. Aninhas, não suporta aquela situação e trata de arranjar formas do marido ir para o Brasil mudar de vida e limpar a reputação da família. Zé do Telhado viaja para o Estado do Rio Grande do Sul, naquele grande país em busca de alguma riqueza.
No Brasil, Zé retoma o seu trabalho de “alveitar” e, bem-sucedido. Zé é informado que, o dinheiro que envia para a sua Aninhas nunca lhe chega às mãos. A raiva e as grandes saudades dos filhos e da sua querida Aninhas, tomam-no, fortemente, e decide voltar à sua aldeia…ainda mais pobre do que nunca.
 Pela iniciativa do governador de Lousada, que pede reforços militares, começa a perseguição das Autoridades a Zé do Telhado. Com a destreza e valentia que o caracterizam, lá vai escapando e enfrentando as forças militares. O cerco aperta-se, cada vez mais! 
 O administrador do Marco de Canavezes empreende uma perseguição, sem tréguas ao quadrilheiro, contando com a colaboração do traidor José Pequeno que, dá informações sobre o seu chefe. Zé do Telhado vai no encalço do sanguinário e traidor José Pequeno....

Fundamentado:  
JOSÉ DO TELHADO O ROBIN DOS BOSQUES PORTUGUÊS?VIDA E AVENTURA José M. Castro Pinto Plátano Editora, Lisboa 2002
Jorge Afonso publicava in Diário de Aveiro de 29 de Outubro de 2007
António Nobre - Viagens na Minha Terra.
Processos Históricos dos Tribunais do Distrito Judicial do Porto

Para ver a terceira parte clik a seguir em ...




 


JOSÉ DO TELHADO PRIMEIRA PARTE

JOSÉ DO TELHADO,  PARTE UM!

Segundo reza a história, José Teixeira da Silva, com o nome do povo Zé do Telhado foi, na alma, um homem de luta a favor dos mais necessitados.
 De facto, assim continua a sua memória entre quem dele ouviu histórias e de quem algo conhece da sua atormentada existência que, grosso modo, consistia em… diminuir aos ricos para, partilhar pelos pobres.
Rigorosa foi a sua postura, sempre, a favor do mais fraco, independentemente da sua condição social e, das vítimas dos poderosos de então. Não falta quem comente com sobriedade que este seria um verdadeiro líder em pleno século XXI e que deveríamos encontrar nos quadrantes sociais, tendo em conta as grandes desigualdades sociais.
A sua história transformou-se numa lenda que não deixaria dúvidas, acabar-se-iam as revalbarias! No entanto para melhor compreendermos mais ao menos seria assim…

Têm de levar a vida a sério se realmente quiserem vencer. E quem não estiver satisfeito pode sair já, a porta está aberta! De hoje em diante, a malta aqui reunida não será um bando de ladrões. Governamo-nos, mas eu só vou tirar aos que têm mais, para dar aos que têm menos. Proíbo, ouviu bem: proíbo; que alguma vez se tire aos pobres e a todos aqueles que vivem honradamente do seu trabalho…
…De hoje em diante, só estou aqui como Repartidor Público. Tudo o que tirarmos aos outros não será só para nós. Uma parte é para os pobres. Ali para o Douro há muita gente rica, mas também se vê por lá muito pobre. Tenho visto por aí muitos velhos, sem terras, nem nada, e mulheres com bandos de filhos. A nossa comunidade tem de ajudar os que são esquecidos por todos…
…Os ricos e o capitalismo é que terá de pagar para os pobres... O capitalismo tem sido a desgraça dos pobres. A troika promete tudo, mas só protege os que eles muito bem querem. Aos pobres passam a vida a mentir-lhes. De hoje em diante eu serei repartidor público. Podeis dizê-lo a toda a gente pois esta é a vontade do povo. E também quero que as autoridades o saibam. Porque este encargo foi-me dado pelo povo.
IN: JOSÉ DO TELHADO; O ROBIN DOS BOSQUES PORTUGUÊS; VIDA E AVENTURA José M. Castro Pinto Plátano Editora, Lisboa 2002


Mas a história tem várias opiniões, uma vez que devido a este comportamento, o Zé tornou-se num marginal, um fora-da-lei, por necessidade, opção sua e porque a Lei, apesar de Lei, nem sempre é promotora de justiça.
Jorge Afonso publicava in Diário de Aveiro de 29 de Outubro de 2007, que o Zé vivia na aldeia de Castelões de Recezinhos, município de Penafiel, onde nasceu em 1816, com a família, sendo um jovem do campo, inteligente, de bom porte físico, trabalhador e bastante sociável. Diversas são as opiniões divergindo um pouco, umas das outras, mas com uma característica comum onde o mito não transforma a imagem do Zé do Telhado.

Fundamentado:  
JOSÉ DO TELHADO O ROBIN DOS BOSQUES PORTUGUÊS?VIDA E AVENTURA José M. Castro Pinto Plátano Editora, Lisboa 2002
Jorge Afonso publicava in Diário de Aveiro de 29 de Outubro de 2007
António Nobre - Viagens na Minha Terra.
Processos Históricos dos Tribunais do Distrito Judicial do Porto
Para ver a segunda parte clik a seguir em ...






COMO ADMIRO O ZÉ!



PUBLICIDADE DA ÉPOCA AO FILME


CRÍTICA PUBLICADA
NO “DIÁRIO DA MANHÔ em 1949

“A «Volta do José do Telhado», sem ser de modo algum um trabalho brilhante, é um trabalho limpo, que não destoa, não envergonha a cinematografia portuguesa. 

É um filme que agrada.”

 

VEJA SÓ!




"A VOLTA DE JOSÉ DO TELHADO"

ESTREIA NO CAPITÓLIO EM 14/9/1949




A 14 de Setembro de 1949 estreava o novo filme de Armando de Miranda, “A Volta de José do Telhado”. No protagonista regressava Virgílio Teixeira que voltava assim a encarnar a figura do lendário salteador. Como complemento do filme surgiam Milú, Leonor Maia, Tomás de Macedo, António Palma, Emílio Correia, Maria Olguim, Carlos Bagão, Silva Araújo e Juvenal de Araújo que regressava novamente no papel de João Pequeno. O argumento coube a Armando de Miranda e Gentil Marques que deram desta vez mais relevo à rivalidade de José do Telhado e João Pequeno, e às paixões de José do Telhado.

 
 
O filme teve assinalável êxito, em muito devido ao seu grande elenco, mas também à história fascinante desse grande salteador. A história de um homem honrado e honesto mas que as circunstancias levariam a trilhar um caminho ínvio e indefensável que o atiraria para o degredo, embora levando consigo a cruz de guerra alcançada por actos heróicos quando era ainda um cidadão respeitável, embora temido, era apaixonante e o publico corria ávido para as salas de cinema esgotando as sessões durante várias semanas.


CAPA DO PROGRAMA DO FILME

"A VOLTA DO JOSÉ DO TELHADO"





INTÉRPRETES

Virgílio Teixeira - José do Telhado
Milú - Zara
Juvenal de Araújo - José Pequeno
Tomás de Macedo - Desertor
António Palma - Padre Torcato
Leonor Maia - Joaninha
Emílio Correia - Morgado de Fataunços e ainda: Maria Olguim; Patrício Álvares; Hermínio de Miranda; Silva Araújo; Carlos Bagão; Isaura Olguim...

Realização - Armando de Miranda
Produção - Armando de Miranda
Argumento - Gentil Marques, Armando de Miranda e Manuel Guimarães
Fotografia - Aquilino Mendes
Música - Jaime Mendes

Duração aproximada: 123 mn. P/B Ano de produção: 1949

 
JOSÉ DO TELHADO E DESERTOR
ENCONTRAM-SE PRESOS

Na ausência de José do Telhado (Virgílio Teixeira), a ferros de el-rei, João Pequeno (Juvenal de Araújo), irmão de José Pequeno, bandido cuja ferocidade é ainda maior que a deste, é agora o capitão da quadrilha. Sob o seu comando, esta constitui o terror da região. Numa conferência no Gabinete do administrador do Concelho (Patrício Alves), quando todos se reconhecem impotentes para acabar com o flagelo, o padre Torcato (António Palma) tem uma ideia. E nessa noite, José do telhado e o seu companheiro de prisão, o Desertor (Tomás de Macedo), enigmática figura cujo passado é um mistério, descobrem com surpresa que a porta da prisão ficou aberta, após a visita do Carcereiro.


JOSÉ DO TELHADO ESCUTA

A PROPOSTA DO PADRE TORCATO

 


Descuido ou armadilha? O diabo que o diga. Mas há que aproveitar. E os dois novos amigos alcançam a liberdade. José do telhado procura a mulher e o filho, mas não os encontra, sendo informado de que eles há muito partiram, ninguém sabe para onde. Na vida ninguém mais lhe resta, a não ser o seu irmão mais novo, o Joaquim (Hermínio de Miranda), que o João Pequeno arrastou para as suas hostes. Um misterioso emissário procura José do Telhado e pede-lhe para o acompanhar junto de alguém que o deseja ajudar. O emissário leva-o a casa do Padre Torcato, que propõe conseguir-lhe o perdão se ele entregar à justiça, morto ou vivo, o famigerado João Pequeno, vergonha e terror da região.

 

JOSÉ DO TELHADO LIVRE OUTRA VEZ

 


José do Telhado recebe a proposta com indignada surpresa, mas logo reconsidera e responde que aceitará, não em troca do seu perdão, mas do seu irmão, que foi arrastado para a vida do mal pelo João Pequeno e que ainda pode ser um homem honrado, se o ajudarem. O Padre consulta alguém e anui ao pacto. José do telhado, secundado pelo desertor, arvorado em lugar-tenente, esforça-se para reunir alguns dos seus homens que não enfileiraram nas hostes de João Pequeno e com a sua nova quadrilha procura o bandido, para lhe pedir a entrega do irmão.
 

JOSÉ DO TELHADO E SEUS HOMENS

PREPARAM O ASSALTO A JOÃO PEQUENO


Em face disto, José do Telhado, desiludido parte. Mas dias depois, João Pequeno chicoteia barbaramente Joaquim que é levado meio-morto ao acampamento do José do Telhado por um velho quadrilheiro fiel e pela jovem cigana Rosinha (Isaura Olguim), que o adora. Joaquim explica ao irmão toda a verdade. E José do Telhado, em cólera acesa, convoca todos os seus homens para o assalto ao acampamento do João Pequeno com o qual vai travar uma luta de vida ou de morte. 
O combate entre as duas quadrilhas é tremendo. Por fim, João pequeno cai moribundo. Neste instante, porém, as duas quadrilhas são cercadas pela tropa, que as intimida a entregarem-se. José do Telhado diz ao Tenente que a liberdade do seu irmão lhe foi prometida. O Tenente responde que de nada sabe e que tem ordem para prender todos. Compreendendo a traição, José do Telhado escapa-se temerariamente, lançando-se às águas duma funda lagoa.

 

COM A AJUDA DE ZARA,

JOSÉ DO TELHADO PLANEIA A SUA VINGANÇA


José do Telhado novamente um revoltado, ajudado pela bela cigana Zara, assalta a prisão, liberta os seus homens e enceta novamente a vida de capitão de ladrões que parece ser seu implacável destino. 
E quando sabe pelo Padre Torcato que a falta ao cumprimento da promessa de liberdade de seu irmão é obra do Administrador, não perde a oportunidade da desforra. Vai-se realizar um casamento de conveniência entre a filha do Administrador, Joaninha (Leonor Maia) e um velho e ridículo Morgado (Emílio Correia). Esta é a oportunidade de vingança de José do Telhado.

FOTO DA COLECÇÃO DA CINEMATECA PORTUGUESA

O casamento entre a filha do administrador e o Morgado, é a oportunidade de vingança esperada para José do Telhado. Embora seja até uma obra meritória, salvar a pobre noiva forçada. E a quadrilha de José do Telhado põe em prática uma das suas maiores, mais audaciosas e retumbantes proezas. A tropa, porém, está alerta. Perseguida, a quadrilha entrincheira-se numas velhas ruínas e resiste em luta valorosa, acabando por pôr os soldados em debanda. Mas o Desertor morre, vítima de sua abnegação a seu amigo fiel. Morre salvando a vida de José do Telhado.  


ZÉ DO TELHADO MORRE COMO UM VALOROSO COMBATENTE

 
José Teixeira da Silva nasceu no lugar do Telhado, de Castelões de Recezinhos, em 22 de Junho de 1818. Ficou célebre na história de Portugal como Zé do Telhado, um herói que se tornou vilão.
Na noite de 16 para 17 de Março de 1857, Zé do Telhado é já alvo de uma caça ao homem sem precedentes. Tinha renovado a quadrilha, agora constituída por Zé do Telhado e o irmão Joaquim, António da Cunha, o Silva mestre pedreiro, a senhora Tomásia, Joaquim Pinto e a mulher, donos de uma estalagem , o Morgado António Faria, o padre Torquato José Coelho Magalhães, o alfaiate Miguel Exposto, o Morgado da Magantinha(António Ribeiro de Faria) e o administrador Albino Leite.
As quadrilhas integravam padres, morgados, administradores, Empresários e alfaiates que tal como hoje nunca foram julgados.
Na campa, onde jaz, consta uma data de nascimento falsa, mas a História reconduz-nos a julgamentos recentes, alguns dos quais da actualidade...

FIM

 



terça-feira, 1 de maio de 2012

1º DIA DO MÊS DE MAIO.


 DIA DO TRABALHADOR !

O dia 1º de Maio no ano de 2012 foi celebrado na Avenida dos Aliados com uma manifestação crescente dos trabalhadores, indignados com as actuais políticas governamentais.
Esta data conhecida por ter uma história, de "miséria imerecida" levou uma excepcional adesão que parecia não parar de crescer, fazendo lembrar Portugal no 1º de Maio de 1974, após o 25 de Abril.
O primeiro dia de Maio salienta na história, um "temível conflito" que se estava a gerar "entre o mundo do capital do trabalho" dando lugar a uma situação de "miséria imerecida".
Um dos principais problemas que nesse tempo atingiam os operários, era o horário de trabalho, trabalhava-se de sol a sol como os agricultores, hoje de uma forma diferente são os jovens que se debatem pela falta de trabalho e também os operários que se debatem com as injustiças sociais.
Milhares de pessoas, sindicatos, trabalhadores dos diversos sectores empresariais e público abrangendo diversas classes da população, aderiram em força e em forma de protesto contra o desemprego.
>
Com chamadas de atenção para uma vida digna e melhor, os manifestantes prosseguiam, empunhando cartazes e proferindo palavras de ordem contra as desigualdades e injustiças sociais, enquanto iam percorrendo as ruas da cidade do Porto, em memória de causas justas e violentas repressões que foram necessárias para vencerem uma luta contra a escravatura e que hoje reivindicam justiça e trabalho para os jovens.

Novelas 3 de Maio de 2012